«Futebol, Carnaval e Cerveja»

Meu Brasil Brasileiro 07-08-2018 17:30
Por Redação

Na edição de A BOLA do dia 20 de dezembro de 1980, Duda Guennes falou da junção do Futebol com o Carnaval e a Cerveja.

Leia o artigo na íntegra:

«Terminados os diversos campeonatos brasileiros estaduais, com todos os campeões já conhecidos o futebol brasileiro entrou em recesso. Merecidas férias. Não para todos: os convocados para defender a selecção «canarinha», que irão participar do «Mundialito» em Montevideu, estão treinando afincadamente na Toca da Raposa, local da concentração, em busca da melhor forma física e técnica.

Futebol em recesso, o Carnaval passa a ser a tónica que motiva o povo brasileiro, principalmente o caioca. O grande desfile das escolas de samba (este ano, será a 1 de Março) desde já monopoliza as atenções dos foliões. As quadras onde as escolas ensaiam estão já repletas de alunos. São as cabrochas sestrosas, dançando no pé e cantando o samba-enredo que irão apesentar na avenida Marquês de Sapucaí, para gáudio e delírio de milhões de fanáticos torcedores tal e qual no futebol – que, com a mesma paixão, não negarão o apoio à sua escola favorita.

Na Marquês de Sapucaí, desfilam as dez escolas do primeiro grupo (ou primeira divisão, tal e qual no futebol). Todos os enredos estão escolhidos. A primeira escola a desfilar será a Unidos, da Tijuca que tem como enredo «O que dá para rir, dá pra chorar», que ainda tem como subtítulo, A Peleja do Cabocloo Mitavai, contra o Monstro Macobeba. Este enredo mostra a luta do povo brasileiro representado pelo Caboclo Milatavai, contra as multinacionais, o monstro Macobeba.

Em segundo lugar, surgirá, na avenida, a escola de Martinho da Vila, a Unidos de Vila Isabel, com Do Jardim do Éden à Era de Aquário, contando a história do Mundo desde a sua criação até  os dias de hoje.

Segue-se a Estação Primeira da Mangueira, fundada pelo genial compositor Cartola – recentemente falecido – que apresentará a vida do Ex-Presidente Juscelino Kubitschek, sob o tema De Nonô a JK. Como novidade, a Mangueira desfilará com alegorias do arquitecto Oscar Niemeyer.

Império Serrano (minha escola querida), a tradicional verde-e-branco de Madureira, deslumbrará estou certo que sim!) a Avenida com o enredo Na Terra do Pau Brasil, nem tudo Caminha viu, falando das coisas que Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, não chegou a ver. E, se tivesse visto, por certo não acreditaria.

Depois, vem a incrementadíssima Beija Flor de Nilópolis, inovadora e originalíssima, com o surrealista enredo chamado Carnaval do Brasil, a Oitava das Sete Maravilhas do Mundo. A Beija Flor é uma escola desbundante. Chegou à primeira divisão; isto é: ao primeiro grupo em 1977, sendo lgo campeã, bisou em 78 e trisou em 79, perdendo em 80 para Mocidade Independente de Padre Miguel, mas mantendo a segunda colocação. Beija Flor vai botar pra quebrar este ano. Está ensaiando adoidado.

Em sexto lugar, surge Portela, «um rio que passou na minha vida», como disse e disse-o bem, o compositor Paulinho da Viola, «enredando» Das Maravilhas do Mar fez-se o Esplendor de uma Noite. A Portela tem como presidente o português Carlinhos Maracanã, que também é o dono do jogo-de-linhos em Madureira. O patrício é fogo na roupa!

Académicos do Salgueiro é a sétima. A vermelho-e-branco do morro do Salgueiro não tem repetido as mesmas performances que, na década dos 60, revolucionaram o carnaval carioca. Principlamente nos desfiles de 1962, com O Descobrimento do Brasil, e 63 com o inesquecível Chica da Silva. Mas esperemos que a simpática escola, com o enredo sobre o Rio de Janeiro, volte a conquistar as glórias perdidas.

Faço um parentes para falar sobre duas passistas do Salgueiros.: Narcisa e Paula. Duas forças da natureza. Quando estão desfilando na passarela iluminada da avenida, «as ambas» conseguem literalmente electrizar o povo, que entra em transe com os maneios e requebros dos quadris das mulatas. Fecho parentes.

Vem depois a União da Ilha (ilha do Governador, onde a colónia portuguesa tem forte implantação e ajuda bastante a escola) com 1910 – Burro na Cabeça. Não é nada sobre o jogo-do-bicho, apenas uma digressão sentimental a uma época que – dizem – a vida era mais manera e tranquila. Burro na Cabeça era uma gíria da época, mas, infelizmente, não sei o que significa, peço perdão aos leitores.

Em penúltimo, surge a Imperatriz Leopoldinense, a escola de Ramos, com o renredo Lamartine Babo em Lá, Lá, Lá de Lamartine Babo. As Fernéticas desfilarão pela Imperatriz. Sónia Braga e Gal Costa talvez, estão em dúvida, entre esta e a Mocidade Independente.

Mocidade Independente, a grande campeã de 80, vai defender Abram Alas prá Folia, Aí Vem a Mocidade. A Mocidade este ano sofreu uma pesada baixa. Baixa terrível: morreu Mestre André, o chefe; melhor dizendo, o maestro da bateria da escola do bairro de Padre Miguel. Perda irreparável. A bateria da Mocidade era (ainda será?) um dos pontos altos do carnaval carioca – uma verdadeira orquestra sinfónica.

Para terminar, uma advertência aos possíveis turistas; nos ensaios das escolas, a cerveja está sendo vendida a 70 cruzeiros, coisa aí como 60 paus portugueses. E mais, apenas na quadra da Mangueira, depois da meia-noite, é que ainda se pode tomar uma cerveja gelada. Que fiquem, pois, avisados!

CONSELHOS AOS GUARDA-REDES

João Saldanha, dublé de técnico e jornalista, é uma das pessoas no Brasil que mais entende do futebol. Sabe tudo, mas tudo mesmo!!! É dele o conselho que transmite agora aos «goleiros» (como são chamados os guarda-redes no Brasil): «O goleiro, para ser bom, deve dormir com a bola. Se for casado, que durma com as duas».

Goleiro é, realmente, uma profissão ingrata. É uma posição tão desgraçada que, onde ele pisa, não nasce relva.

               

INVESTIR NO FUTURO

O centro-avante Dario, o Dadá-Peito-de-Aço, ou Rei Dadá, como ele se auto-intitula, actualmente a jogar pelo Clube Náutico Capibarbie, do Recife – Pernambuco – quer negociar o passe do seu filho, de um ano e meio,  garantindo que o puto será o maior artilheiro do ano 2000.


FORÇA DE VONTADE NÃO CHEGA

Um treinador do América do Rio de Janeiro estava fazendo aquela famosa preleção antes do jogo aos seus jogadores. Mentalizando, como se diz agora:

- Com força de vontade, a gente consegue tudo na vida. Badeco, médio volante dos Diabos Rubros, um crioulo alto, de tamanho de um guarda-roupa, desligadão, contradiz o técnico:

-Papo furado, não consegue, não. Eu quero ver você botar toda a pasta de dente de volta, depois de você espremê-la do tubo.

ADEUS ÀS PISTAS

Emerson Fittipaldi, depois de dez anos correndo na Fórmula 1, onde foi duas vezes campeão mundial (72/74) e duas vezes vice (73/75), afirmou ao jornal «o Globo» que 1980 havia sido o último ano da sua carreira. Não mais voltará às pistas.

Na sua carreira, Emerson participou de 148 provas na fórmula 1, tendo conseguido 14 vitórias, também 14 segundos lugares, sete terceiros, nove quartos, cinco quintos e oito sextos. Deixarrá saudades. Resta ao Brasil, agora, apenas Nelson Piquet, que, na passada temporada, já conseguiu um brilhante vice-campeonato.»

Ler Mais
Comentários (0)

Últimas Notícias