«Se Macumba ganhasse o jogo?»

Meu Brasil Brasileiro 14-08-2018 15:45
Por Redação

Na edição de A BOLA do dia 27 de dezembro de 1980, Duda Guenes fala em orações, crenças, macumbas, e... futebol.

Leia o artigo na íntegra: 

«Umas das grandes características do jogador brasileiro, talvez devido ao subdesenvolvimento económico, cultural e mental, é a superstição. Antes de adentrar o relvado para uma qualquer simples partida, os atletas dão uma verdadeira demonstração de exotismo. Cada um invocando à sua maneira a protecção do «santo».

O goleiro do Atlético Mineiro e da seleção canarinha, João Leite, ou João «Milk», ou ainda João de Deus, é protestante. Antes de cada partida e ainda nos balneários, João Leite escreve no quadro negro um salmo s Bíblia. E explica:

- Eu acho importante que a gente reflita antes de um jogo, eleve um pouco o espírito. Faz com que aqueles que estejam inseguros se tranquilizem, e dá humildade aos que estão sendo, eventualmente, acometidos de prepotência. Enfim, ajuda a harmonizar os sentimentos. E antes de uma competição, de grande ou pouca importância, os mais variados sentimentos se manifestam. Positiva e negativamente. E existem algumas passagens e trechos da Bíblia que falam genericamente dessas coisas e estimulam a reflexão. É por isso que costumo escrever os versículos para que o pessoal leia e pense no que está escrito. Já houve gente que veio me falar que ajudou, que chegou com problemas, leu e se tranquilizou. Fiquei muito satisfeito.

João Leite entra em campo, com um exemplar da Bíblia na mãe, e invariavelmente, entrega-o de presente ao goleiro adversário.

A equipa do Bangú o Rio de Janeiro, antes de entrar em campo, ajoelha-se, os jogadores dão as mãos e em uníssono rezam o Pai Nosso. Caster de Andrade, o Mecenas e «dono» do time afirma «que é uma questão de fé».

E, perguntando, se não fosse esse Pai Nosso, e Bangú teria acabado?

Caster, no alto da sua profunda sabedoria adquirida no tempo que era o rei do jogo-do-bicho e «dono» da escola de samba Mocidade Independente de Pai Miguel, respondeu com uma fábula:

-Isso me faz lembrar uma anedota. Diz que ladrão habitualmente roubava uma mansão onde havia uma infinidade de cachorros ferozes. Um outro ladrão então perguntou: «como é que você consegue entrar naquela mansão com aquela cachorrada? Não te acontece nada?» Quando pulo o muro, me ajoelho e rezo um Pai Nosso. Os cachorros não me atacam, vou lá e roubo. Na noite seguinte o segundo ladrão pulou o muro, a cachorrada veio, ele ajoelhou, rezou um Pai Nosso, e a cachorrada UAU! UAU!, mordem ele, que teve que pular o muro de volta. Procurou então o amigo: «Você é mentiroso.» Não. É verdade! Mas como é que os cachorros me morderam todo?» Ah, esqueci-me de te dizer que levo umas pedras no bolso. Enquanto tô rezando o Pai Nosso, taco as pedras nos cachorros que me atacarem. É assim a história do Bangú: você reza o Pai Nosso, mas tem que fazer golo, senão não adianta.

Espiritismo, Ubanda, Quibanda, Macumba, Xngô, Candomblé ou qualquer outra religião; reza forte, defumadouro, fechar o copo, mandingam marafo, galinha preta na encruzilhada dos quatros cantos, charuto e cachaça, são elementos importantíssimos para fazer a cabeça dos jogadores, inculcar-lhes a flamejante fé, pois sem fé (acreditam os jogadores e os «cartolas») não se chupa nem um sorvete, quanto mais vencer no futebol! Fé de mais ou fé de menos.

O jornalista João Saldanha, como bom materialista que é, contesta: «SE MACUMBA GANHASSE JOGO, O CAMPEONATO DA BAHIA TERMINARIA EMPATADO?».

 Amigo da Onça

Alaor Brener, dentista, tem uma coragem de mamar em onça. Imaginem vocês que o nosso estomatologista cometeu nada mais nada menos a seguinte façanha: obturou o canino de uma onça. De facto, «Cabeção», tremenda onça pintada do jardim zoológico de Curitiba, capital do estado do Paraná, estava com o nervo exposto e o diâmetro deste, para se ter uma ideia, era comparável ao de um lápis de cor, enquanto o da pessoa humana é como um fio de luz.

A operação foi um sucesso, durou menos de duas horas e o dentista afirmou que a única coisa desagradável tinha sido o «bafo da onça».

Salgueiro Incrementado

A escola de samba Académica do Salgueiro, neste próximo Carnaval, vai desfilar com uma ala de 200 bichas. A «Salgay». E vão botar pra quebrar., deixar cair. Para tantoi os figurinos da delicada ala vão pôr em evidência a parte do corpo discretamente conhecido como «retaguarda inferior».~

119 Milhões

Ou os brasileiros estão funcionando mal ou, então, o uso da pílula anti-concepcional está bastante difundido. O certo é que, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que pelos seus cálculos previa uma população de 123 milhões, apenas registou no censo realizado este ano, a cifra de 119 milhões 24 mil e 600 habitantes.

Na relação das cidades brasileiras mais populosas ocorreram algumas mudanças importantes.

A principal delas foi o aparecimento de Brasília como a sétima cidade do país em população, com 1 milhão 176 748 habitantes, com um crescimento demográfico anual de 8,1 por cento, o maior percentual de todas as capitais do Brasil.

A cidade mais populosa continua sendo São Paulo (8 490 763), seguida do Rio de Janeiro, com 5 093 496. Belo Horizonte, 1 717 712; Salvador da Baía  1 501 219; Fortaleza, capital do Ceará, 1 308 859; Recife 1 204 794; Brasília já citada; Porto Alegre no Rio Grande do Sul; onde nasceu o jogador Manoel do Sporting, com 1 125 901; em nono lugar, Curitiba, 1 025 979; finalmente em décimo aparece Belém do Pará com 934 mil e 330 habitantes.

O lanterna vermelha coube ao território federal de Fernando de Noronha, um conjunto de pequenas ilhas perdidas em pleno Oceano Atlântico que registou a presença de 1266 pessoinhas.

Nunca conheci ninguém nascido em Fernando de Noronha. Mas sei que existem.»

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