«Barcelona ofereceu a Ronaldo condições superiores às do Real Madrid»

Real Madrid 15-03-2019 16:13
Por Pereira Ramos, correspondente de A BOLA em Espanh

Em entrevista a A BOLA, Ramón Calderón fez várias revelações relativas à contratação de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, 2009. Entre elas, a tentativa do Barcelona em desviar o internacional português para Camp Nou.

- Como surgiu a ideia de contratar Cristiano Ronaldo quando este estava no Man. United?

- Os dois melhores do mundo eram ele e Messi. Sabíamos que Messi era impossível e que Cristiano podia ter algum interesse em vir para o Real Madrid. Através de Jorge Mendes, cuja atuação foi fundamental, eu e o Pedja Mijatovic, que era o diretor desportivo, iniciámos negociações. Tive de falar várias vezes com David Gill, que era então quem mais mandava no Manchester e, finalmente, com muita paciência e com a indispensável  ajuda do jogador, conseguimos o nosso objetivo. No último contrato que ele assinou, figurava uma cláusula segundo a qual o clube inglês se comprometia a vender o seu passe ao Real Madrid se este apresentasse uma proposta de compra de 80 milhões de libras - 94 milhões de euros - e assim acabou por ser. A chegada de Cristiano estava prevista para o verão de 2008, mas atrasou-se um ano. Estando eu em Bogotá recebi uma chamada sua pedindo-me desculpa e a informar-me que tinha renovado com o Manchester United mas com a condição de poder sair no início da temporada seguinte. O jogador tinha assumido esse compromisso com Alex Ferguson, que considerava como seu segundo pai. Nós compreendemos a situação. Mesmo tendo de esperar não podíamos deixar passar essa grande oportunidade e, em dezembro de 2008, assinámos todos os contratos ficando consumada a que então passou a ser a transferência mais alta da história do futebol.

- Em quanto se estabeleceu o ordenado de Ronaldo?

- Eram 8,5 milhões de euros, líquidos, por temporada, mais os rendimentos por publicidade que se repartiam em 40% para o jogador, 40% para o Real Madrid e o resto para o agente.

- Procurou o Barcelona intrometer-se na operação?

- Efetivamente, ofereceu condições superiores às nossas, creio que eram 10 milhões de euros mais. Recordo que o vice-presidente do Barça chegou a dizer numa conferencia de imprensa que Cristiano não iria para o Real Madrid, mas então foi a vez do jogador ser perentório afirmando que só trocaria o Manchester pelo Real.  

- Sabendo-se o que Ferguson sentia por Cristiano, como é que o deixou sair?

- Quando um jogador se quer ir embora, não há nada a fazer. Eu tive essa experiência com Robinho, pois um dia veio dizer-me que com a contratação de Cristiano ele já não iria ser a primeira figura da equipa e, como tal, não queria continuar. Procurei convencê-lo por todos os meios, ele não cedeu. Veio o Man. City, ofereceu 42 milhões de euros, que há 12 anos era muito dinheiro, e chegámos a acordo.

- Nos seus contactos com Cristiano Ronaldo, que impressão é que ele lhe deu?

- Sempre me pareceu um desportista muito ambicioso, levanta-se cada dia com a obsessão de treinar, com a vontade de ser melhor que no dia anterior. Tem uma vida regrada, em Madrid nunca foi visto em discotecas nem a beber copos com amigos. Isso, junto com as condições físicas e técnicas que possui, faz com que seja invencível e que tenha condições para aguentar ao mais alto nível ainda alguns anos mais. Fisicamente está como um rapaz novo.

- Contratou Cristiano, mas, entretanto, deixou o clube e não o pôde apresentar. Foi uma frustração?

- Eu já suspeitava que tal iria acontecer, que os que se opunham à minha presidência alguma razão encontrariam para não me deixarem apresentá-lo, mas não me senti frustrado. Ao fim e ao cabo, quem faz os contratos é o Real Madrid através da pessoa que está como presidente e que tem a obrigação de aproveitar as oportunidades e defender o melhor possível os interesses do clube.

- A Direção presidida por Florentino Pérez que sucedeu à sua, poderia ter renunciado à contratação?

- No contrato figurava uma cláusula que previa que, se uma das partes renunciasse, estaria obrigada a pagar à outra, no prazo de dez dias, uma indemnização de 30 milhões de euros. Houve um período de duas semanas de muita tensão, em que Florentino Pérez, por não ser um jogador que tivesse sido ele a contratar, parecia ter dúvidas em assinar. Ronaldo soube disso, zangou-se e deu instruções a Jorge Mendes para que informasse o presidente que renunciava à indemnização. Simplesmente não queria ir para um clube onde sabia que não seria bem-vindo. Finalmente, o assunto solucionou-se graças a Jorge Valdano e a José Angel Sanchez, que lograram convencer Florentino de que era uma loucura perder a oportunidade de contratar o melhor jogador do mundo. Foram eles, que eram então seus colaboradores próximos, que salvaram a operação. A partir daí as relações entre Cristiano e o presidente nunca foram boas.

Leia a entrevista completa na edição impressa de A BOLA.

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