Duelo de ´gringos´ aquece Fla-Santos

BRASIL 11/09/19 9:22
Por João Almeida Moreira, correspondente no Brasil

Desde há cerca de dez anos que o futebol mundial vem sendo marcado por uma rivalidade, na maior parte das vezes sadia, entre um génio argentino e um génio português. Mas desta vez, o duelo entre duas das mais conhecidas formas de folclore urbano, tango e fado, não vai ter Lionel Messi e Cristiano Ronaldo à guitarra dentro do campo, mas sim dois homens que, à beira dele, discutem a liderança na última das 19 jornadas da primeira volta do Brasileirão.


O Flamengo, do europeu Jorge Jesus, tem mais dois pontos do que o Santos, do sul-americano Jorge Sampaoli. E ainda conta com o fator casa - os 61.120 bilhetes emitidos para o Maracanã esgotaram ontem, primeiro dia da venda ao público em geral - como vantagem. Mais: está em momento sublime de forma, despachando os três últimos rivais que lhe surgiram na frente com consecutivas chapas três.


O Santos viveu período semelhante logo após a paragem para a Copa América, quando somou quatro triunfos seguidos e ultrapassou o Palmeiras, o terceiro elemento do trio de protagonistas da prova, mas entrou numa fase deficitária de que o empate em casa com o Athletico Paranaense na jornada anterior, obtido apenas com um penálti duvidoso nos últimos instantes, é só um exemplo.


E o que têm Jorge e Jorge em comum, além do nome? Como, nesta fase das suas carreiras, foram parar a um país diferente, mas tão próximo de ambos, porque afinal o Brasil faz fronteira com a Argentina e expressa-se na língua inventada em Portugal?


Jesus, conhecido pelas longas cabeleiras, esgotado, por ora, o ciclo vitorioso no país natal, onde ganhou tudo o que que havia para ganhar, entrou numa fase emigrante no clube de Zico. Depois da aventura incompleta na Arábia Saudita (Al Hilal), escolheu um dos países que melhor conhece e mais admira para trabalhar e para ganhar.


O argentino, conhecido pela impecável careca, esgotado pela experiência traumática na seleção do seu país, onde não teve nem um átomo do sucesso obtido, por exemplo, no Chile, escolheu o clube de Pelé para se reencontrar e reencontrar o prazer de treinar.


Um e outro têm estado em debate em todos os jornais e televisões. E sempre, ou quase, em tons elogiosos. Jesus porque chegou, viu e ganhou quase sempre e com brilho num dos mais qualificados plantéis do Brasil. Sampaoli porque, embora não tendo um impacto tão imediato como o rival, transformou o seu clube, a quem estava destinado, segundo os observadores, papel secundário em 2019, em protagonista. Quem ganhará o primeiro duelo entre o fã de Cruyff e o discípulo de Bielsa?