Maya Gabeira entre as ondas gigantes e a vela 

Surf 26-02-2019 08:50
Por Célia Lourenço

Os pliés do ballet acompanharam boa parte da infância de Maya Gabeira, até se cansar da severidade dos treinos e descobrir o surf que, exigindo «o mesmo equilíbrio e trabalho de pés», lhe deu a liberdade que o mundo dos tutus oprimia.

«O surf também tem o seu lado de arte, de beleza corporal, mas dentro de água é muito mais agressivo e masculino», analisa a brasileira, que contribuiu para por a Praia do Norte e a Nazaré no mapa mundo, quando bateu o recorde do Guinness, tornando-se na primeira mulher a surfar uma onda gigante de 20,7 metros, em janeiro de 2018.

Embora essa continue a ser a sua paixão, a surfista nascida no Rio de Janeiro há 31 anos encontrou, entretanto, outro foco para conciliar a graciosidade do ballet com o mar e a adrenalina. E foi dele que falou no Mónaco, durante os Laureus World Sports Awards, nos quais esteve nomeada para a categoria dos Desportos Radicais.


«Tenho vontade de fazer uma travessia solitária, quem sabe do Atlântico. Gosto muito de estar no mar, sou uma pessoa mais introspetiva. Para já, tenho vontade de aprimorar os conhecimentos de vela pelo Mediterrâneo, mar que apesar de ter grandes ventanias, guarda desafios perto da costa. Depois de uns anos de experiência em solitário, quero ver se consigo cruzar um oceano. O plano é esse», contou a surfista, que está a fazer cursos na Royal Yatching Association, em Huelva, Espanha.


«Vou conciliar as duas coisas», afiança, empenhada em enfrentar as dificuldades inerentes a quem quer manobrar sozinha um veleiro de 40 pés, cerca de 12 metros.


«Tenho enjoado bastante, esse tem sido o desafio do momento. Consegui ler todas as cartas lá em baixo no barco e sobrevivi ao enjoo, já foi uma vitória. No jetski nunca enjooei. Se estou preparada para não dormir, comida liofilizada, alucinações?», respondeu, perguntando ao mesmo tempo que largava valente gargalhada: «Ainda só estou no dramazinho, não no dramalhão!»

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