«Saí do Benfica um Luisão muito diferente do que entrou»

Benfica 10-02-2019 13:46
Por Redação

Tem 20 títulos pelo Benfica, mas acha que podia ter feito mais. Numa entrevista à BTV, Luisão fez um balanço da sua carreira, agora que deixou de jogar. 

«Para mim é um orgulho [ser o jogador do Benfica com mais títulos]. A história do Benfica é tão rica, com jogadores tão talentosos, que conseguir ser o mais titulado até ao dia de hoje – porque quero que outros alcancem e ultrapassem essa marca – é sinal de que tudo foi feito da maneira certa. Eu cobro-me porque – analisando a minha carreira e, apesar de reconhecer as dificuldades de transição pelas quais o Benfica passou – acho que precisava de me ter preparado mais para levar o Benfica para mais títulos nacionais», referiu.

Luisão concordou que 15 anos no mesmo clube acabam por ter grande impacto: «Cheguei um Luisão e saí, com toda a certeza, anos-luz à frente daquilo que era quando cheguei ao Benfica. Foi muito crescimento, muitos anos a ter de lidar com as dificuldades até ao nível da estrutura onde o Benfica estava a evoluir, a saber lidar com as pressões que os adeptos colocam e da forma como os rivais tentam colocar essa pressão dentro do Benfica. Foram muitos anos de aprendizagem. Sai um Luisão totalmente diferente.»

Ideia era jogar toda a época

Houve tempo também para recordar a decisão de terminar a carreira, depois de não ter, no início da época, atingido objetivos a que se tinha proposto: «Comecei esta época com o intuito de chegar ao final e coloquei alguns objetivos para mudar a opinião até do treinador, para que eu fizesse parte das contas para esta temporada. Depois da pré-época, eu vi que não tinha conseguido atingir os objetivos a que me tinha proposto: participar em jogos da pré-temporada – participei oito minutos –, ser inscrito na Champions... Comecei a refletir sobre tudo o que eu já tinha feito e sobre tudo o que poderia influenciar o grupo.Tive de ponderar, conversar com a minha esposa e filhas… Tomei a decisão de um dia, no Seixal, conversar com o Presidente, explicar aqueles que foram os meus objetivos, e ele concordou. Naquela altura foi a decisão certa até porque não poderia estender mais isso perante o grupo.»

O jogador brasileiro recordou também ao canal do clube a sua estreia na seleção: «“Da primeira vez que fui chamado estava a haver uma guerrilha na Colômbia e eu fui no lugar do Mauro Silva, em 2001. O Felipão [Luiz Felipe Scolari], que me tinha subido para a equipa profissional, fez a convocatória e ligou-me. Claro que quando eu recebi a notícia as pernas tremeram. Era Cafu, Roberto Carlos, Dida, Ronaldinho, e eu era só um jogador que tinha começado. Para mim foi uma alegria imensa. A primeira coisa que pensei foi: ‘O Brasil tem 180/200 milhões de habitantes e eu, vindo de Amparo com uma bronquite, às vezes com condições de vida sem perspetiva, estou mesmo a chegar aqui? Como titular então foi espetacular. A minha passagem pela seleção foi muito boa, não tive tantos jogos como titular, mas ficava na reserva para Lúcio e Juan, que revolucionaram a seleção brasileira. Só tenho a agradecer.»

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