Felipão e Sampaoli em novo duelo

Palmeiras 23-02-2019 09:40
Por João Almeida Moreira

Os crentes disseram que o jogo dos oitavos de final do Mundial-2014 entre Brasil e Chile provou que Deus existe e é, como se diz no país, brasileiro. Tendo em conta o que se seguiu, os ateus veem nesse jogo a explicação perfeita para a sua falta de fé. No banco de cada uma das seleções estavam Luiz Felipe Scolari e Jorge Sampaoli, que hoje à tarde, dirigindo Palmeiras e Santos, vão colocar frente a frente as suas filosofias em partida do Paulistão, o melhor dos estaduais brasileiros.


Explicando: quando toda a gente já esperava os penáltis naquela tarde no Mineirão por causa do 1-1 no marcador, Mauricio Pinillla, aquele que jogou no Sporting na década passada, recebeu a bola à entrada da área e disparou com estrondo à trave da baliza de Júlio César, aquele que passou pelo Benfica na década atual, aos 120’. O lance, que parou os corações de milhões de brasileiros e chilenos, de tão dramático está até imortalizado nas costas do próprio Pinilla em forma de tatuagem.


Nos penáltis, o Brasil acabaria por vencer por 3-2, no fim de uma tarde de tensões, com direito a agressão do assessor de imprensa brasileiro ao referido Pinilla ao intervalo e a choro do capitão Thiago Silva antes do desempate dos 11 metros. «Deus existe e é brasileiro», gritaram os fiéis. Não existe, nem é brasileiro, clamam os descrentes desde então, tendo em conta que na partida seguinte, com a Colômbia, os canarinhos perderam Neymar, lesionado, e na subsequente, com a Alemanha, levaram históricos 1-7.


Fé à parte, esse foi o único jogo do Mundial, 1-7 incluído, em que o Brasil teve menos posse de bola do que um rival - sinal do futebol que privilegia o passe de Sampaoli. É esse tipo de futebol, que o argentino levaria depois, com relativo sucesso, para o Sevilha, e, sem resultados, para a seleção do seu país, que o Santos joga hoje. Apesar de adaptável às circunstâncias, Felipão, por outro lado, representa a escola resultadista, do vencer seja como for, com bola ou sem ela, como prova o seu currículo extraordinário.  


No clássico deste sábado, no Allianz Parque, defrontam-se as duas equipas com mais pontos após sete jornadas (o Santos tem 18 e o Palmeiras 14), a melhor defesa (o verdão só sofreu dois golos) e o melhor ataque (o peixe já marcou 16 golos). O santista Jean Mota, autor de sete desses golos, é até a ver a revelação e o craque da prova, enquanto do lado palmeirense os também atacantes Deyverson, negociável desde que cuspiu num rival no dérbi com o Corinthians, e o colombiano Borja, criticado pelos adeptos, estão sob escrutínio.

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