Porque os estádios brasileiros nunca estiveram tão cheios?

Brasil 05-09-2019 08:25
Por João Almeida Moreira

O Brasileirão do ano passado foi o que levou mais gente aos estádios em mais de 30 anos, com média superior a 18 mil adeptos por jogo. O de 2019, aquele que está a deixar Jorge Jesus deliciado, tem média de 21 mil, somadas as primeiras 17 jornadas, um recorde desde 1983. Mas afinal, em época de crise económica no Brasil, porque é que os estádios andam tão cheios, para alegria do treinador português do Flamengo?


Além de fatores desportivos subjetivos - afinal, o seu mengão está no topo da luta pelo título e a praticar futebol de qualidade e outros clubes com massas associativas gigantes, como Palmeiras, São Paulo e Corinthians, também - há dados mais estruturais, como adianta André Monnerat, chefe de negócios da Feng Brasil, empresa especializada em projetos de fidelização de adeptos que trabalha em programas de sócios de clubes grandes brasileiros.


E esses programas de sócios são um dos vértices para o recorde de adesão - se o Brasileirão de 2019 passar dos 20 mil de média, como parece vir a acontecer, será apenas uma das sete edições a superar esse número. Grêmio e Internacional, os dois rivais do Rio Grande do Sul, foram pioneiros a fazer aquilo que na Europa - em Portugal, por exemplo - já é comum: vantagens, incluindo no preço dos bilhetes, para sócios.


Além disso, apesar de muitas vezes serem chamados de elefantes brancos, os novos estádios, a maioria construídos na esteira do Mundial de 2014, têm responsabilidade.
«Ir ao estádio ficou, de um modo geral, mais fácil e confortável e aos poucos os clubes e administradores dos estádios foram amadurecendo a operação e as políticas de fixação de preços», diz Monnerat.


Soma-se ainda a venda de bilhetes online.


«Com ela, as cenas de torcedores acampados por horas em frente a bilheteiras físicas e as grandes confusões e tumultos ficaram para trás, hoje em dia é mais fácil ir ao estádio, comprar bilhete e com isso horas da vida das pessoas são poupadas», explica.


Voltando ao lado desportivo, o adepto brasileiro começa a interiorizar o sistema de pontos - ou seja, o vício nacional em mata-mata (jogos a eliminar), que fez parte da competição até 2003, começa a ser superado.


E, depois, convenhamos, o Brasileirão deste ano está emocionante: no domingo, por exemplo, o Fla, de Jesus, clube com a melhor média de público, defrontou o Palmeiras, ainda com Luiz Felipe Scolari, com três pontos a separá-los e num Maracanã cheio. No dia 14 será a vez do Santos de Jorge Sampaoli, agora líder com os mesmos pontos, ir ao Rio defrontar o Flamengo.
 

Ler Mais
Comentários (6)

Últimas Notícias