Os sete fôlegos de Luís Felipe Scolari

Opinião de José Manuel Delgado 13-08-2018 18:20
Por José Manuel Delgado

Luiz Felipe Scolari, treinador de futebol, quase 70 anos no cartão de cidadão, tem mais vidas (desportivas) que os gatos. Dado como acabado em mais do que uma ocasião, o técnico campeão do Mundo em 2002 pelo Brasil e vice-campeão da Europa com Portugal em 2004, está de novo de regresso à ribalta e na estreia, em casa, pelo Palmeiras, acabou de derrotar o Vasco da Gama por 1-0, mesmo tendo usado vários habituais suplentes. Scolari tem um «feeling» especial para escolher bem os clubes onde trabalha, especialmente quando sente que está na mó de baixo. E nunca deixou de fazer bons contratos que lhe têm permitido realizar uma gestão com mais à vontade da carreira. Repare-se como Felipão tem sido hábil a seguir o rasto do dinheiro, nos últimos 30 anos, cruzando-se, em várias latitudes, com tempos de vacas gordas no futebol: passou pelo Kuwait e pela Arábia Saudita, depois rumou ao Japão, mais tarde treinou em Portugal (onde quebrou a escala de vencimentos de um treinador) e na Premier League inglesa, seguindo-se o Uzbequistão e a China.

Particularmente curiosos foram os locais escolhidos para «exílio», nas fases mais sombrias de uma longa carreira: Depois de um tremendo «flop» em Stamford Bridge, de onde saiu com uma enorme indemnização paga por Roman Abramovich, o «Sargentão» rumou ao Uzbequistão, onde acumulou fortuna num projeto sem grande sentido desportivo. Regressou ao Brasil, venceu uma Taça com o Palmeiras e isso abriu-lhe, de novo, as portas do escrete canarinho, que olhava com ambição o «seu» Mundial de 2014. O «Mineirazo», os 7-1 da Alemanha e a depressão em que o futebol brasileiro caiu pareciam suficientes para decretar o fim da carreira de Scolari. Porém, uma vez mais, o instinto de sobrevivência do experiente técnico fê-lo, após breve passagem pelo Grémio, refugiar-se na China, com enorme sucesso e proveito económico, no Guangzhou Evergrande. Revitalizado por esse oxigénio chinês, Luiz Felipe Scolari aceitou uma assumir uma terceira passagem pelo Palmeiras, onde tinha sido feliz (Taça do Brasil, 1998 e 2012; Taça Mercosul, 1998, Taça Libertadores, 1999, Torneio Rio-São Paulo, 2000) e que poderá, quem sabe, ser a plataforma ideal para novas aventuras deste treinador sempre capaz de reinventar-se.    

TÍTULOS DE LUIZ FELIPE SCOLARI COMO TREINADOR

Qadsia FC (Kuwait)

Taça do Emirado do Kuwait: 1989

Taça da Liga Kuwait: 1988–89

Seleção do Kuwait

Taça do Golfo: 1990

Júbilo Iwata (Japão)

Liga Japonesa de Futebol, 1997

Criciúma

Taça do Brasil, 1991

Campeonato Catarinense de Futebol, 1991

Grémio

Campeonato Gaúcho, 1987, 1995 e 1996

Taça do Brasil, 1994

Taça Libertadores da América, 1995

Taça das Taças Sul-Americana, 1996

Campeonato Brasileiro, 1996

Palmeiras

Taça do Brasil, 1998 e 2012

Taça Mercosul, 1998

Taça Libertadores da América, 1999

Torneio Rio-São Paulo, 2000

Cruzeiro

Taça Sul-Minas, 2001

Bunyodkor (Uzbequistão)

Campeonato Uzbeque, 2009, 2010

Taça do Uzbequistão, 2010

Guangzhou Evergrande (China)

Campeonato Chinês, 2015, 2016, 2017

Liga dos Campeões da AFC, 2015

Taça da China, 2016

SuperTaça da China, 2016, 2017

Seleção Brasileira

Taça do Mundo FIFA: 2002

Taça das Confederações: 2013

Prémios Individuais

Treinador Sul-Americano do Ano, 1995,1999 e 2002

Melhor treinador do Mundo, 2002, 2003 e 2004

Melhor treinador da Taça das Confederações (Equipe do Campeonato), 2013

Melhor treinador do Campeonato Chinês, 2015, 2016 e 2017

Melhor treinador do Campeonato Brasileiro, 1996

Melhor treinador da Ásia, 2015

Terceiro melhor técnico do Mundo, 2013

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