O sucesso de Jorge

Opinião de João A. Moreira 03-06-2019 19:14
Por João Almeida Moreira

O português Jorge chegou ao Brasil, treinou um clube gigante e, de tanto sucesso obtido, acabou até a orientar a seleção brasileira. Futurologia? Não, pelo contrário: história.

Falemos de história, então.

O principal campeonato estadual do Brasil, o Paulistão, começou por ser dominado pelo São Paulo Athletic Club, hoje mais conhecido pela sua secção de râguebi, e pelo Paulistano, hoje essencialmente um clube social.

Só depois, por volta dos anos 20, as principais forças dos nossos dias se começaram a impor: o Corinthians, assim chamado por causa da tournée de um clube inglês homónimo pelo país, e o Palestra Italia, que por causa de Brasil e Itália estarem em lados opostos na segunda guerra mundial seria obrigado a mudar de nome, para Palmeiras, em homenagem a um clube entretanto extinto.

Em 1931, o São Paulo foi campeão pela primeira vez mas daquele ano até 1943 o Palestra-Palmeiras ganhou seis títulos e o Corinthians quatro – aos tricolores restou a ingrata honra de serem vice-campeões cinco vezes no período.

Nasceu então a piada da moeda ao ar: em 1943, um dirigente do Timão disse que para poupar tempo, em vez de jogar o Paulistão, bastava atirar a moeda ao ar, se desse cara, ganhava o clube dele, se saísse coroa, venceria o Palestra-Palmeiras. Então e o São Paulo, não pode ser campeão, alguém perguntou. Só se a moeda cair em pé, afirmou, para risota geral.

Pois em 1943, o São Paulo foi campeão. E o título ficou na história como “o ano em que a moeda caiu em pé”. Naquela mesma noite, os adeptos são-paulinos fizeram uma marcha pela cidade num crro alegórico de carnaval com uma moeda em pé. De então para cá, o clube, até então considerado mediano, começou a ganhar com assiduidade e tornou-se mesmo membro, por direito próprio, do Trio de Ferro, como é chamada a Santíssima Trindade do futebol paulistano, São Paulo, Corinthians e Palmeiras.

Por falar em Santíssima Trindade, o que é que isto afinal tem a ver com Jesus? Nada, até porque ainda não se falou em Jesus neste texto. O Jorge do primeiro parágrafo é Jorge Gomes de Lima, de nome de guerra Joreca, o treinador do São Paulo no ano em que a moeda caiu em pé. Lisboeta, jornalista, professor de educação física e até pugilista amador seria campeão paulista também em 1945 e 1946.

O sucesso levou-o mesmo a ser o primeiro estrangeiro a orientar a seleção canarinha – em duas vitórias sobre o Uruguai, em 1944, lado a lado com o brasileiro Flávio Costa.

Que Jorge, o Jesus, tenha tanto sucesso no Flamengo como o outro Jorge, o Joreca, teve no São Paulo. 

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