Um café cheio

Opinião de João A. Moreira 18-06-2019 13:24
Por João Almeida Moreira

Quando o economista (e fã apaixonado do Manchester United) Jim O’Neill cunhou a expressão BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, identificada como South Africa na sigla em inglês), a propósito dos países emergentes com condições para se juntar à elite económica tradicional, listou fatores como área, população, produção, matérias primas.

E no futebol? Quem pode aspirar a ser BRICS? E quais os critérios necessários?

Num exercício, ao contrário do de O’Neill, sem pretensões científicas tomemos como fatores indispensáveis para se ser emergente no futebol a paixão natural pelo jogo, o nível de organização das competições nacionais, a presença habitual em mundiais e outras provas internacionais, o campo de recrutamento e a relevância demográfica enquanto nação.

Tendo isso em conta, a Nigéria, sétimo país em população à escala global, embora lhe falte organização nas competições locais, está na calha para ser o primeiro africano a conquistar o título mundial – aliás, já levantou taças a nível juvenil e olímpico.

O México – liga tradicional e rica, força demográfica, presença constante nos eventos, triunfo recente no torneio olímpico e relevância crescente no mundo – e a Rússia – futebol com história, governo com dinheiro e um oceano de terra – são outros BRICS naturais.

Mas, como esta coluna é sobre o futebol que se joga no Brasil e no Brasil por estes dias se joga a Copa América vamos direto ao ponto: e na América do Sul, há algum BRICS, capaz de se juntar à elite futebolística tradicional do sub-continente, composta pelo próprio Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai?

Há sim um país com todos aqueles fatores em boas doses: tem um campeonato com nível cada vez mais razoável e mais de 1000 atletas espalhados pelo mundo, mantém crescimento económico constante acima da média da região, é mais populoso até do que a Argentina (do que o Uruguai então nem se fala) e apresenta uma sociedade diversa e miscigenada fanática por futebol, como se de um mini-Brasil se tratasse.

E a seleção é treinada por um profissional, goste-se ou não, dos mais experimentados do mundo, o português Carlos Queiroz, depois do antecessor José Pekerman já ter feito um trabalho persistente e consistente.

Pois é: e se a Colômbia, capital mundial do café, que até bateu com relativa facilidade a Argentina de Messi no jogo grande da primeira fase da prova, conquistar a Copa América e daí partir para tomar um lugar na elite do mundo do futebol? Para já, é um café cheio. De potencial.

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