O que vale Daniel Alves?

Opinião de João A. Moreira 06-08-2019 00:19
Por João Almeida Moreira, São Paulo

Os jornais dispensaram-lhe as páginas mais nobres, as rádios emitiram em direto, as televisões foram acompanhando a par e passo, a internet veio abaixo.

Os adeptos deslocaram-se em massa, invadiram aeroporto e centro de treinos, levaram tambores e cornetas e coros e telemóveis e paus de selfie e cachecóis e camisas e gorros e bandeiras.

Será, afinal, que o reforço vai corresponder a tanta atenção da imprensa e a toda a euforia da torcida? 

A resposta é: não.

E este não é um exercício de futurologia mas sim um olhar histórico.

O jogador a quem nos referimos nos primeiros parágrafos é Paulo Henrique Ganso, recebido com pompa e circunstância em 2012 pela nação são-paulina, depois de se incompatibilizar com o Santos.

Mas até podia ser Alexandre Pato, chegado em 2014, via Corinthians.

Ou Kaká, que trocou o Milan pelo Morumbi, no mesmo ano.

Ou Hernanes, um dos maiores ídolos do clube, regressado em 2017 e, novamente, no início deste ano.

Nenhum deles, apesar de lapsos episódicos da sua indiscutível classe, mudou a história recente do São Paulo – uma história aquém do que uma das mais exigentes torcidas brasileiras, apoiada no tri no Brasileirão conquistado em meados da década passada e num currículo internacional superior ao de toda a concorrência local, exige.

Uma andorinha não faz a primavera – nem mesmo uma andorinha da qualidade de Daniel Alves, atual capitão da seleção brasileira e melhor jogador da Copa América terminada faz amanhã um mês.

O entusiasmo da imprensa e a euforia da massa tricolor, logicamente, nada têm de reprovável. Mas que uma e outra tenham a noção de que o ex-Paris Saint-Germain é, por si só, apenas a parcela de uma equação. E, principalmente, que os seus dirigentes não confundam a contratação de um craque com a contratação de um salvador da pátria.

Daniel Alves é um ótimo lateral, um dos melhores da história do futebol brasileiro, da linhagem de Djalma Santos, Carlos Alberto, Cafu, entre outros, e um dos melhores do mundo da atualidade.

Mas nem como lateral ele deve jogar: a contratação (também bombástica) do ex-Atlético Madrid Juanfran dias depois, deixa antever que não. O número de Dani na camisa – o 10 – é outro sinal.

Cuca, o treinador, deve usar, portanto, o reforço no meio-campo, uma posição para a qual tem todas as credenciais técnicas mas não a rotina.

Terão a imprensa e os adeptos a paciência para esperar Dani se adaptar a uma nova função?

Com Ganso e os outros não tiveram e eles até atuaram nas suas posições de origem.       

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